Cirurgia Nasal Funcional e Estética

Eulógio E. Martinez Neto, médico otorrinolaringologista, Mestre em Otorrinolaringologia com concentração em Rinologia e Cirurgia Estética da Face pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo

As cirurgias nasais têm se beneficiado de maneira consistente com novidades tecnológicas e novas abordagens operatórias nos últimos anos. As cirurgias funcionais do nariz para os casos de obstrução, desvios de septo, sinusites, pólipos, roncos e outras doenças têm seu curso menos traumático e sua recuperação precoce em relação ao passado. O advento da cirurgia endoscópica nasal e dos seios da face permitiu aos cirurgiões uma precisão cirúrgica antes não imaginada.

As incisões e dissecções operatórias são vistas integralmente com imagem ampliada através de microcâmeras e monitores, e com materiais cirúrgicos longos e com dimensão reduzida. Com isto, tornou-se viável quase a totalidade das cirurgias nasais sem a necessidade de incisões externas. Através da narina é possível realizar desde cirurgias rotineiras até procedimentos mais complexos, sem hematomas, cicatrizes ou inchaço.

Outra melhora significativa é em relação à recuperação pós-operatória. Com a visualização total da cirurgia, o controle do sangramento ficou mais eficiente e preciso, dispensando a utilização do tampão nasal após a cirurgia. O mesmo procedimento que antes demandava tampão nasal por 48 horas após a operação é feito hoje com o paciente tendo alta hospitalar no mesmo dia.

A cirurgia estética nasal também apresentou avanços. Se por um lado a cirurgia funcional progrediu de maneira gritante com a endoscopia transoperatória, a cirurgia estética nasal beneficiou-se com um melhor entendimento, planejamento, controle e resultados.

Antes focada no que seria removido do nariz, tornou-se uma cirurgia de planejamento de acordo com as medidas e ângulos do rosto do paciente, preservação das estruturas adequadas e remodelação das regiões que estão em confronto com o aspecto estético desejado. As mudanças são planejadas individualmente, acabando com aquele estigma de “nariz de plástica”, inserindo o nariz no contexto estético do rosto de cada paciente.

As técnicas de dissecção e manuseio da estrutura nasal permitiram uma visualização direta das cartilagens e osso nasal, fazendo com que o cirurgião possa seguir milimetricamente seu planejamento pré-operatório causando um trauma menor ao paciente. Esta abordagem também permitiu que o cirurgião tivesse acesso às estruturas nasais por incisões internas, sem a necessidade de incisar a parte externa em um grande número de casos. Prevenindo cicatrizes externas e a necessidade de remoção de pontos, uma vez que os pontos internos são absorvíveis.

A cirurgia funcional e estética conjunta vem a somar vantagens aos procedimentos, pois além da íntima relação de elementos funcionais que corroboram para alterações estéticas, permite-se utilizar as mesmas incisões para acesso às regiões a serem manipuladas durante a cirurgia. Além disto, permite antever e prevenir problemas funcionais decorrentes da alteração estética.

Apesar de todos os avanços referentes à cirurgia nasal, todo procedimento cirúrgico está sujeito a riscos e complicações. O candidato à cirurgia nasal deve apresentar as suas expectativas, envolver-se no assunto, sanar suas dúvidas e discutir com seu médico todos os pormenores antes do procedimento.