Adoecer

Luciane Altenburg, psicóloga clínica e hipnoterapeuta

Mesmo sabendo que adoecer é uma possibilidade real em nossas vidas e muito frequente em nossa sociedade ou tendo contato com amigos ou conhecidos que passaram por situações próximas, não imaginamos ou acreditamos que isso também possa acontecer conosco. Quando nos deparamos com tal realidade, passamos a viver com situações e sensações nada confortáveis, doloridas e angustiantes. Ter que lidar com o inesperado desestrutura, desarmoniza, bagunça o que “aparentemente” estava organizado, estruturado e organizado.

A doença é carregada de muitos significados. Para a medicina ocidental, o sintoma significa alterações fisiológicas, anatômicas, bioquímicas e moleculares. Para a medicina oriental, significa alterações sutis na dimensão energética do paciente, alterações que se relacionam com sua vida afetiva e espiritual. Para a psicossomática, o sintoma seria a maneira que o paciente encontrou para expressar conteúdos que não puderam ser transformados em palavras – aquilo que a pessoa foi “engolindo”, “não digerindo”, “absorvendo”. Para o paciente, significa parar, perder, abandonar, sofrer, desesperar, fantasiar, tornar-se impotente, morrer. Para a família, significa separar, abandonar, perder, sofrer, cuidar, amar.

Nesse processo de adoecer, no qual cada indivíduo tem suas particularidades, suas histórias, suas crenças e suas verdades, há sempre uma resposta emocional individual. Há pacientes que se deprimem, que enfrentam, que aceitam, que ficam ansiosos, que ficam eufóricos, que negam, que apresentam insônia, que dormem em demasia, que fantasiam, que ficam confusos e que confabulam.

E a forma como cada indivíduo ou família lida com as situações pode ter um peso bem significativo no decorrer do processo, pois parece que nunca estamos preparados e seguros o suficiente para conseguir enfrentar as nossas histórias e as sensações que surgem “irracionalmente” e “instintivamente”. Saber identificar os sentimentos, saber o significado real da doença e ter clara a consequência de todo o processo dá estruturas reais e emocionais para lidar com a doença e com o processo de adoecer.