A humanização por princípio
 Isabella Bressan, farmacêutica, especialista em Atenção Farmacêutica e pós graduanda em Administração.
Rosina Godoy, enfermeira, especialista em Administração e Marketing em Saúde.

Desde sua fundação, em 1942, a Casa de Saúde São Sebastião (CSSS) sempre se caracterizou por prestar um atendimento de qualidade. Em 2011, foi criado o Programa de Humanização baseado nesse princípio e no que preconiza a missão da instituição: “Prestar serviços de saúde que priorizem a segurança do paciente através da qualificação do corpo clínico, atendimento humanizado dos colaboradores e atualização tecnológica”.

O projeto da CSSS foi elaborado com base na Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS (HumanizaSUS), instituída pelo Ministério da Saúde em 2003. A partir de dois conceitos básicos – “Humanização é o aumento do grau de corresponsabilidade na produção de saúde e de sujeitos” e “Humanização diz respeito à mudança na cultura da atenção dos usuários e da gestão dos processos de trabalho” (Ministério da Saúde, Política Nacional de Humanização Hospitalar, 2003) – a CSSS promove ações práticas para a efetivação da humanização.

Constituir ações que permitissem implantar o projeto de humanização visando o acolhimento ao paciente, permitindo a resolutividade das necessidades do cliente e adequando as condições de trabalho dos profissionais envolvidos em todo o processo, fortalecendo espaços de troca e produção de conhecimento para uma melhor qualidade do trabalho foi o grande desafio inicial desse projeto. As estratégias utilizadas basearam-se, então, em três níveis: 1) ao profissional de saúde; 2) ao usuário; e 3) à instituição hospitalar.

Os objetivos para conduzir uma mudança de cultura de forma a contagiar todos na CSSS e assim deflagrar o processo de humanização foram traçados: promover a corresponsabilidade na produção de saúde e de sujeitos; fortalecer os grupos multi-disciplinares de trabalhos; qualificar a ambiência, melhorando as condições de trabalho e atendimento e permitindo um adequado acolhimento ao cliente em todas as suas necessidades; promover estratégias de comunicação e integração entre os setores, tornando o trabalho coletivo mais acolhedor, mais ágil, resolutivo e harmonioso; e valorizar os diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: clientes, trabalhadores e gestores.

A primeira ação foi disponibilizar a todos os profissionais um treinamento com uma equipe especializada sobre Relacionamento Interpessoal e Trabalho Humanizado com reforços periódicos. Em seguida, os trabalhos foram voltados para ações que valorizassem os profissionais.

No que envolve diretamente o paciente, além do desenvolvimento daqueles que prestam atendimento, foram promovidas ações pautadas nas necessidades expostas pelos próprios pacientes nas avaliações sobre o atendimento. Assim, surgiram a Pastoral da Saúde, a Biblioteca Móvel, o Dia da Prevenção e a Campanha do  Agasalho, entre outras ações.

Hoje, o esforço concentra-se para que o atendimento humanizado seja um padrão em todos os setores, visando a oferecer a todos a mesma atenção à saúde, sem distinção de idade, etnia, origem, gênero e orientação sexual, respeitando as necessidades individuais de cada sujeito, ampliando o conceito de humanização com os serviços que interagem com a instituição e com os períodos pós-alta hospitalar. Para tanto, foi formado o Grupo de Multiplicadores da Humanização, no qual profissionais de todos os setores interagem com situações do dia a dia a fim de disseminarem nos seus setores a visão e os princípios da humanização.